Não me lembro do dia em que me apercebi que não estava aqui para brincar. Acho que foi uma constatação diária a partir do dia em que me apercebi que falhei. Durante muito tempo achei que o melhor dia da minha vida ía ser determinado dia. E fui andando assim, fazendo da ansiedade e da expectativa desse dia chegar, o meu combustível. E que poderoso combustível. Com ele ía á Lua! Mas eis que por ingenuidade, ou falta de experiencia minha, esse dia ainda não chegou! Hoje eu digo que pelos meus erros e imperfeições esse dia ainda não chegou, pelo menos como eu o sonhei!.. desde essa altura que as coisas já não são como eram. Há quem diga que é depressão, eu digo que talvez acordei para a vida. E eis que não é assim tão bela, pelo menos não é assim tão bela quanto eu dantes achava. Na verdade eu já nem me lembro de como eu achava tudo isto belo e cheio de… vida, digo eu. Hoje em dia entretenho-me a imaginar um mundo melhor, não uma vida perfeita e cor de rosa, mas imaginar a vida que desejo do fundo do coração para mim e para os meus, (que no fundo colaboram directamente para a minha felicidade pessoal) como uma certa morfina ou crack sei lá, para as coisas serem levadas melhor. Sem efeitos colaterais, sem reabilitações. Dizem que a esperança é a ultima a morrer, mas ás vezes pergunto-me até que ponto este meu escape é seguro e saudável. Tenho medo de o achar uma prisão, porque prisão por prisão, a vida real assim como a vejo agora, sem graça, tanta dor, sofrimento em vão, tanto gemer e ranger de dentes… não sei não. Para mim está fora de questão desistir drástica e dramaticamente. Acho que tenho muito para dar ainda e que sou corajosa o suficiente para cá ficar. Além do mais tenho um certo piloto automático cá dentro que me faz acreditar que cá deveria ficar para ver o que vai acontecer amanhã ou depois de amanhã. Mas há dias bastante difíceis. Mas nunca ninguém disse que seria fácil, diz-me uma voz aqui dentro. As vezes pergunto-me se estarei a ficar maluca, ou lá a chegar. No entanto eu sou socialmente apta e aparente normal, não apresento comportamentos bizarros, (só em casa, e lá no meu porto seguro, todos já conhecem as minhas deficiências!) não me isolo do mundo ( apenas na minha cabeça),converso eloquentemente, riu, dou conselhos, tenho amigos (poucos mas bons) muitos conhecidos… mas por dentro, sinto que estou a chegar a um limiar. Não sei até que ponto isso pode ser desculpa para a minha procrastinação, mas até que ponto a minha procrastinação pode ser sintoma do meu estado de espírito.
A dada altura, (quando me apercebi que falhei), tentei arranjar bodes expiatórios, contudo, o que fazer com eles? Vingar-me? Do quê? Mais tarde cheguei á fase de bater no peito mea culpa, mea culpa. Aí foi o descalabro total. A minha auto-estima reduzida a nada, a confiança em mim transformou-se em medo de falhar. Antes mesmo de dar o passo já sinto tremuras, o coração bate, as borboletas dançam no estômago, o nó na garganta, a vontade de chorar e perguntar porquê comigo, porquê eu? A vontade de atirar tudo para o ar e desaparecer, transformar-me numa mosca, essa é mais que muita. E eu só fico satisfeita quando chego ao andar zero, ao fundo do posso. Acho que já lá cheguei, o difícil é voltar a subir esse buraco para ver a luz do sol. E muitas das vezes escorrego, perco a força, desanimo, e volto para o meu caos interior, mas sem ninguém ver. Lá fora, fora do meu mundo eu sou normal e feliz, só que sou preguiçosa. É isso, ela é uma preguiçosa. Além de procrastinadora, tenho medo, muito medo de falhar, o que me remete a um ciclo vicioso.

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