A inspiração ás vezes falta. Queremos falar de tudo mas não sabemos escrever sobre nada. As palavras voam à nossa volta dentro do nosso cérebro, como as abelhas cercam a flor, mas nenhuma pica o olho, nenhuma suga o pólen, não há mel para ninguém. As tantas é melhor namorar. Trocar saliva em forma de beijo, estudar a anatomía amada com profundos afagos e palpações. Ás tantas o coração bate mais forte e o encéfalo é melhor oxigenado, as ideias fluem, dançam, riem e se confundem também!... As tantas é melhor desenhar, pois quando as palavras não servem de nada para explicar, quem sabe o desenho chegue a simplificar. Quem sabe assim não pensou Picasso, inefável face ao bombardeamento de certa cidade espanhola, pincelando e gritando através de Guernica.Ás tantas é melhor dormir, pois quando dormimos o sonho é garantido. Mergulhamos no profundo do nosso ser, construindo imagens oníricas dos nossos medos, problemas, aspirações, lembranças..em forma de fantasmas e mosntros, casas de esher, ou surrialismo de Dali, imagens do passado, imagens do futuro, nossas imagens, imagens de nós. No mínimo acordamos num grito, inundados em suores frios, e pupilas bem dilatadas. Quem sabe, também não podemos espreitar por breves instantes a terra do leite e do mel, Shangri La ou experienciar o calmante e conselheiro silêncio do Eden. De certo que, quando acordarmos do sonho, do descanso do guerreiro, ainda que não nos lembremos, estará latente, pairando no ar, qual borboleta primaveril,a inspiração para solucionar o problema que nos corta o apetite, que nos martela a cabeça, ou mesmo a inspiração para tocarmos a mais bela composição de Chopin ao piano, ou passar áquela cadeira tão pesada ou quem sabe, inspiração para apenas...viver!